terça-feira, 18 de setembro de 2012

Soltas





Eu não me contento, 
no descontentamento eu mergulho,
eis o meu erro e escravidão.

Samara Belchior.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Melancolia


Edvard Munch, Morning



Escolho a melancolia
As vezes eu a escolho.
Ela me inspira palavras bonitas
Ela me inclina à poesia
Que a tal da alegria
Tão pouco que dura
Não cria.

Samara Belchior

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Colli



As vezes eu te procuro no olhar intenso e agitado que marca tua face. Juro, há muito por encontrar! 
E, desculpe-me a franqueza, ou você desconhece sua inteligência, ou esconde na simpatia do sorriso ansioso a explosão de pensamentos criativos e gigantes. 
Não preciso dizer (mas digo) que a primeira opção sirva apenas para alimentar minha curiosidade. 
“Menina, como você é grande!” Não te dizem meus olhos?! Eu visiono, projeto, constato você. 
Será que você também se procura, será que já se sabe?! 
Confesso, tarefa louca à qual me lancei, tento decifrar-te para mim, para os outros, para ti. Escondes-te mulher, na menina da expansividade? 


Não sei mais quais caminhos trilhar, pois, tudo foi iniciado quando parei meus minutos (alguns deles) para me pôr a pensar sobre quem és (empenho-me nisso tão espontaneamente a cada vez que te vejo vibrando por entre, por sobre, dentro dos livros, nas entranhas do conhecimento, no passeio pela cultura e arte, na busca incessante do saber, quando leio algo que escreveu). Por agora, declaro minha admiração, é tudo o que posso fazer. 


“Menina, como você é grande!” Não te diz minha procura, que pouco da sua grandeza pode ver?! 


Que esta seja a estreia de uma série, seja lá do que for. 
É possível que nunca uma jovem amiga me tenha ocasionado tamanha admiração, confesso. 


Ou é grande minha ingenuidade, ou minhas projeções cumpri-ser-ão. Não preciso dizer (mas digo) acredito tão mais na segunda assertiva. 


Sua (provavelmente) mais recente admiradora, 

(Para minha amiga Nathalia Colli. 2011)
Samara Belchior. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Fluxo solitário




Que considerações importantes eu deveria fazer hoje?! Eu deveria fazer várias, se eu pudesse. Os pensamentos me vem e me fogem, as frases se formam e depois derretem na dúvida entre escrever ou não.


Ontem confessei que já não podia escrever. Não sei por onde passeia minha inspiração. Meus fluxos de consciência solitários procuram por ela.


Eu ouço a música pra tentar chamar a poetisa, eu ouço também a canção da razão e então só sinto a angústia contornando o ventre. A angústia é muda, exceto pelos urros.


Quem sou pra querer gritar por todas as injustiças?! Minha pequenez traz-me de volta à angústia e como num ciclo ininterrupto eu vasculho o redor, eu encontro as minhas causas pra chorar, eu choro e reencontro nas lágrimas a estática, a impossibilidade, a angústia. 


E o entorno de mim é dilacerante, 
nem aqui nas proximidades posso atuar...
Quem dirá
nos entornos do mundo, da miséria, da ignorância que não só empobrece os bolsos, empobrece, de amor, o espírito!


Olhos que me olham, não podem me enxergar.
Eu estou aqui em mim, onde os olhos jamais poderão ver, na minha angústia que me cerca por perto, na angústia que me cerca nas estruturas de um mundo carente de graça e rico em pobreza humana, na pobreza humana, através da pobreza humana (Um mundo lá dos altos e poucos, longe dos baixos em baixo, na ponte).


Duas palavras
ouço a angústia sussurrar:


Justiça, liberdade.


Por ora, talvez seja só...entre outras palavras que ainda não são tais, são esboços de sussuros da angústia.


Samara Belchior (Num fluxo de consciência solitário e hermético)






domingo, 27 de março de 2011

Prisão.



Enquanto seu corpo trêmulo se arrasta preso na realidade, sua mente, lúcida, grita pela libertação. Ela reconhece a prisão, os horários a serem cumpridos, as normas, os limites, o que se pode ou não...Isso não existe. Existe a determinação e a aceitação. A necessidade força a aceitar, posto que a maioria aceita.


A mente deve enlouquecer em qualquer momento breve, é provável que não suporte a contradição. As coisas aos poucos deixam de fazer sentido, os sonhos deixam de existir, pois o ilusório foi convertido em fatalidade.


É tão claramente perceptível agora, que todas as capacidades humanas são desprezadas e como um objeto, o ser serve para pouca coisa, com função determinada.


As informações obtidas, os livros lidos, já não bastam. As coisas estão acontecendo e a teoria não lhes causou modificações. As palavras espalhadas pelas páginas já não contem significação; enquanto os olhos procuram verdade, sentido, uma mensagem, os órgãos do tórax, o estômago, as entranhas estabelecem movimentos repetidos e angustiantes. O corpo ofegante, irriquieto, palpitante quase se rasga ao meio como se pudesse libertar as vontades da alma para fora da abstração; cuspir moral, ética, respeito, igualdade, aceitação, completude, virtude, num jato único de transformação.


A constatação das coisas é grave, é lamacenta. Por isso os contos de fada. É tão simples esconder-se nos cantos fugidios da mente pois, uma vez do lado de fora, alma e corpo parecem se repelir, tornam-se incompatíveis. A alma já não deseja  habitar a realidade corpórea sombria, almeja dela desfazer-se.


Não é poético observar o miserável e, não é belo compreender que é usurpada do ser a liberdade com que deveria nascer, sua alma a pressupôs mas o sistema exterior, as instituições malditamente criadas já lhe traçavam os passos.


Aquela louca alma que grita por verdade, que chama por libertação...pobre alma, está relegada à solidão, angustiante solidão.


Samara Belchior 18/03/2010. 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Anjo Gabriel.



Minha poesia repete teus olhos,
tua face macia,
boca doce,
perfume envolvente.
Minha boca repete meu amor:
Te amo, te amo.
Meu amor repete-se diariamente,
e crescente.
Seu eu, encantador para mim,
é a promessa do nós.
Meus olhos se fecham nos fins de dias
ansiando por ter teu olhar,
em todas as manhãs.
Tão pouco sei dizer do todo
que sinto.
Amor, te quero tão bem porque,
te amo, encanto!

Samara Belchior (07.11.10)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Infarto

O mundo jaz no egoísmo,
maldito grudado na pele 
corre pelos cantos e centros.


O mundo não contem o outro,
é o núcleo fechado do "mim",
cercado pela moldura do espelho.


As cores da propaganda desfilam
no palco que esconde por trás da cortina 
a chacina da miséria.


Quem sente não pode fugir
e o sentimento que virou mercadoria, 
vendido é jogado - brinquedo velho no canto.


Quem sente só sofre a angústia, 
estatelada pelos meios da garganta, 
guardada numa lágrima contida.


Eles caminham massificados
ignorando sua massificação;
fantoches do materialismo, ignoram
tão só a parte metafísica das coisas,
choram um momento diante do caixão,
mais tarde achando-se sóbrios
mergulham outra vez no que pensam
ser eterno: a satisfação, os medos que têm,
o conforto, a alienação.


Um dia se acharão surpresos quem sabe?! 
diante da moldura de um espelho que
lhes roubou os anos, pessoas, sentimentos, 
valores...


(21.11.10- 01:04 da madrugada)


Samara Belchior.