terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Alba


Tudo escuro
Sob meus olhos
Sobre meu teto

Tudo incerto
Por dentro
No redor
Nas possibilidades

Esfericamente
ondas sonoras propagam
ventanias na orla da alma

No nada dos olhos
As cores dos sons
A esperança da luz
A sutilidade divina

Por Samara Belchior (02/02/2010)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

SURREAL


Estava sentada lá
Era eu só, comigo.
Aquelas portas se abriram num convite
Lá fora havia um verde encantador
Minhas árvores, meus pássaros, minhas flores.

O vento me tocou os ombros
Eu vi
Um beija flor.

Acima um tom azul
Dentro duma pintura o céu.
Não via espelhos, me era tão intensa
O tempo inexistia, tudo era torpor
Meus sonhos, minhas cores, meus sons


A música parou de tocar
Percebi
Meu eu imaginador.

Por Samara Belchior.

Abram-se as cortinas!!!


Os homens do Barroco, tais quais Shakespeare, comparavam a vida a um teatro, como se ela se desenrolasse num palco. Cheia de oposições: o Carpe diem, mas o Memento mori, havia a expressão da mistura que compõe a Cultura Ocidental.
          No palco de hoje as cortinas se abrem para um novo ano. Embora o homem ocidental veja o tempo de modo linear como o quiseram os cristãos medievais ratificar, reconhecemos o tempo refazendo-se em ciclos menores de 12 meses. Quatro estações se passaram, e fomos nos construindo enquanto elas tocavam nossa pele.
     Talvez, enquanto alguns acreditam piamente que o novo ciclo seja propício a um novo espetáculo teatral, outros, desesperançosos, céticos ou cansados de completar ciclos, já não se importam com as palmas da platéia.
       Deveríamos todos ser filósofos, poetas, artistas (não necessariamente os do século XVII), e assim, conseguiríamos metaforizar a vida, torná-la algo além do que fizemos comum. Deveríamos desacostumar com as nuvens do céu azul, tornando-as motivo de exultação. Deveríamos suar de um nervosismo contido ao descortinar de cada novo ano, fazendo-nos os personagens mais brilhantes na superação do espetáculo anterior.
        Um dia, para cada um de nós as cortinas haverão de fechar-se definitivamente, creio abrir-se-ão noutro lugar melhor. Mas, enquanto é tempo, meu Diretor me chama para ser a melhor atriz que eu puder até que se acabe mais um espetáculo e outro se inicie, até que chegue outro verão, até que outro ciclo se complete.

Por Samara Belchior (01/01/2010)


Referências: GAARDER, Joisten. O mundo de Sofia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ENSAIO



Eu preferiria o silencio se ele não fosse tão fatal.
Enquanto reflito, eu complico
Torno mortal.
Tentaria a imobilidade
Estou tentando, mas atentada pela vontade
de me dizer em tom poético experimental.


Por Samara Belchior (Em 02/12/09)

ESCONDERIJO



Me misturo no irreal
Como se possível vivê-lo n'alguma outra dimensão
onde cores quentes se espalham pelos redores.
Me invadem esses tons
tornam sons sobre os quais deito.

Me escondo sob os meus sois, pois sei que são meus.
Não há como me roubar daqui de dentro de mim.


Por Samara Belchior

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



"...Mas entendo de arte e amor pois anseio por isso com cada fibra do meu ser..." Tolouse-The Moulin Rouge

sábado, 5 de dezembro de 2009

CENTRO


    O vento que batia no rosto em frente à Catedral. Hoje suas portas não estiveram abertas. De qualquer modo, de qualquer forma, o ar da cidade esteve libertador. Exceto sim para os que pendiam de um sono torturante presos ao concreto do chão.
    Os passos vagarosos permitiam sentir os séculos de História, das histórias dos mais diferentes viventes daquele tempo que legou edifícios da cidade. E tem o cheiro dos ventos coloniais, a cor das vilas e o som das vozes ecoantes jesuíticas, brancas, portuguesas, aportuguesadas, miscigenadas.
   Todo esse centro atiçante. Os picos daquela Sé. A latência da arte em todas (quase todas) as pontas. Fez-se então um misto dessa realidade presente, que quase já sem sê-la, apropriou pés outros de outrora naquele chão, sidos de um passado distante pelo tempo e tão aproximado pela fusão que houve nos sentimentos.
    O piscar dos olhos fotografou na mente as melhores imagens subjetivadas daquele concreto, daqueles humanos, daquele presente, daqueles reflexos do passado. Do Pátio ao Marco, do José ao Paulo. E a Caixa que cheia de presentes artísticos adornou a alma tão inquieta por transportar-se a todos os tempos e informar à pele as sensações de cada.

Por Samara Belchior em 05/12/2009 (Dedicada ao meu amigo Philippe Arthur)